Por Luciana Roque

Barreiras no Oeste da Bahia é destaque no agronegócio, em belezas naturais como os rios e cachoeiras que banham a cidade, além das serras e um povo hospitaleiro. Porém decepciona em questões não menos importantes para a população como infraestrutura, saúde e educação. É visível tamanho descaso, basta circular pela cidade, são intermináveis buracos nas vias públicas e esgoto escorrendo pelas ruas e avenidas. Nos postos de saúde, filas quilométricas e queixas dos cidadãos que não têm meios de pagar por uma consulta ou procedimento em clínicas particulares e quando conseguem agendar, a depender do exame, é necessário esperar em média três meses para o atendimento, no dia da consulta leva em torno de três a quatro horas aguardando a vez. E nas escolas municipais acontece até de fechar a instituição por conta de fossas sépticas que vazam resíduos e o mau cheiro expulsa alunos e professores. Esse é o quadro atual da cidade polo às margens do Rio Grande, que recebe todo tipo de lixo em suas margens.

Para completar o quadro triste de descaso, o poder público não preserva o pouco que sobrou da história da cidade, são árvores arrancadas, praças abandonadas, casarões antigos cedendo por conta da ação do tempo. Um exemplo é o que sobrou da antiga hidrelétrica e do matadouro, restaram apenas as ruínas das maiores obras já realizadas em Barreiras.

Muitos empregos gerados durante a construção da Usina Hidrelétrica

Iniciada a construção da Usina Hidrelétrica de Barreiras em 1920, por meio de pás, picaretas e enxadas, numa época em que maquinário pesado era difícil ter acesso, gerou emprego pra muitos pais de família. O empreendimento exigia a construção de um canal com dez metros de largura e oito quilômetros de comprimento para desvio do Rio de Ondas até o bairro Barreirinhas, onde havia um desnível natural do terreno em que a queda d’água moveria as turbinas e assim fazia-se a luz elétrica em Barreiras. Este canal ficou conhecido entre os moradores como Rêgo que, além de produzir energia era um local para diversão das famílias.

Lazer entre as famílias no Rego da Turbina

Em 1930 começa a construção do Matadouro para aproveitamento do gado e dos suínos da região e do Goiás. No auge do matadouro produzia o charque, que era transportado para o Rio de Janeiro, através dos navios a vapor e depois em trem de ferro até a então capital federal. Dali o charque barreirense era levado para os Estados Unidos e a Europa, durante a Segunda Guerra Mundial.

 

Matadouro aqueceu a economia de Barreiras e região

As ruínas da hidrelétrica e do matadouro são recordações de um período de intenso desenvolvimento de Barreiras e que atualmente encontram-se no abandono, mas que podem e devem ser conservadas.

Ruínas da hidrelétrica  Ruínas do Matadouro  

Fotos do Acervo: Napoleão Macêdo

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